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JUNO

Não existe design neutro: o design reflete quem cria

Antes de falar sobre ferramentas, métodos ou resultados, é preciso olhar para quem está criando. O design não acontece em abstrato: ele nasce de pessoas, atravessadas por contextos sociais, culturais e históricos. Entender isso é fundamental para discutir diversidade de forma honesta — não como discurso, mas como prática que influencia diretamente o que colocamos no mundo.



Todo design carrega uma visão de mundo — inclusive o nosso


Nenhum design nasce neutro. Toda escolha — da forma ao fluxo, da linguagem à funcionalidade — carrega referências, valores e experiências de quem está criando. Designers não projetam no vácuo: criam a partir de quem são, do que viveram e do contexto em que estão inseridos. Reconhecer isso não é uma fragilidade do processo criativo, é o seu ponto de partida mais honesto.


No Floripa Design Day, essa multiplicidade de olhares se manifesta no encontro presencial, longe das telas e das reuniões virtuais. Cada palestra, oficina e conversa carrega histórias diferentes, trajetórias profissionais distintas e formas singulares de enxergar o papel do design no mundo. O FDD26 não nasce de uma única visão — ele é construído a partir do encontro entre perspectivas diversas sobre o que significa projetar, criar e transformar.


Floripa Design Day 2025 — 29/03/2025
Floripa Design Day 2025 — 29/03/2025

O que é design para quem organiza o evento?


Para nós que organizamos o evento, o design é, antes de tudo, intenção e projeto: a capacidade de transformar situações complexas em soluções possíveis. É também uma ferramenta moldada por contextos históricos, econômicos e sociais — criada para atender mercados, mas com potencial de gerar impactos que vão além deles. E, sobretudo, é um processo multidisciplinar que conecta pessoas, negócios e tecnologia para resolver problemas reais, sejam eles econômicos, sociais ou culturais.


E assumir isso exige maturidade: aceitar que o design não é apenas técnica, mas também posicionamento. Que toda solução carrega um ponto de vista — e que ampliar esses pontos de vista é uma escolha estratégica, não um detalhe do processo.


A diversidade de entendimentos, pensamentos e realidades não enfraquece o design. Pelo contrário: amplia seu alcance e aprofunda sua responsabilidade. Quando diferentes visões se encontram, o processo criativo se torna mais crítico, mais consciente e mais potente. Porque, se o design reflete quem cria, então quem está na sala importa tanto quanto a ideia. E criar juntos é o primeiro passo para criar melhor.


Organização e equipe de voluntários do Floripa Design Day 2025–29/03/2025
Organização e equipe de voluntários do Floripa Design Day 2025–29/03/2025

Repertórios não crescem dentro de bolhas

Comunidades criativas são fortes, mas também podem se tornar previsíveis. Quando não existe um esforço consciente de ampliação de repertório, tendemos a repetir padrões: as mesmas referências, os mesmos discursos, as mesmas pessoas ocupando os mesmos espaços. Não por má intenção — mas por conforto, familiaridade e afinidade.


Esse fenômeno é fácil de reconhecer nas redes sociais. Os algoritmos nos mostram mais do que já curtimos, seguimos e concordamos. Aos poucos, criam bolhas que reforçam visões de mundo e silenciam outras perspectivas. No design, algo semelhante acontece quando eventos, times e projetos convidam sempre os mesmos perfis para falar, decidir e criar. O que parece coerência vira limitação. O que parece identidade vira repetição.


A curadoria importa. Os temas escolhidos, as vozes que sobem ao palco, os debates que ganham destaque moldam aquilo que o ecossistema passa a considerar “relevante”, “atual” ou “inovador”. E tudo o que fica fora desse recorte corre o risco de ser invisibilizado — mesmo sendo fundamental.


Por isso, o Floripa Design Days se propõe a ser mais do que um espelho do que já está posto. O FDD26 busca ser um espaço de ampliação: de repertórios, de escutas, de pontos de vista. Um evento que desafia bolhas em vez de reforçá-las, criando encontros que expandem a forma como pensamos design, tecnologia e impacto.


Talvez o convite mais importante seja este: perceber os padrões que repetimos sem questionar. Observar quem costuma ocupar os espaços de fala, quem geralmente escuta em silêncio e quem raramente é convidado para a conversa.


Transformar o ecossistema começa justamente quando escolhemos mudar esses padrões — com intenção, abertura e disposição para ouvir o que ainda não está no centro.


Diversidade não é sobre representatividade simbólica — é sobre ampliar o pensamento


No design, diversidade não é estética, nem checklist, nem uma imagem bonita para comunicar valores. Ela começa — e se sustenta — quando perspectivas diferentes realmente influenciam decisões, questionam caminhos óbvios e ajudam a enxergar problemas por ângulos que antes não estavam visíveis.


No cotidiano do trabalho de um designer, isso aparece o tempo todo. Na hora de definir um problema, de priorizar uma funcionalidade, de escolher uma linguagem visual ou de decidir o que fica de fora de um produto. Cada escolha carrega pressupostos sobre quem usa, quem é ouvido e quem é deixado à margem. Quanto mais homogêneo é o olhar do time, maior a chance de repetir soluções previsíveis — e de ignorar realidades inteiras.


O design, quando bem praticado, é uma porta de entrada para a diversidade justamente porque exige escuta, empatia e curiosidade. Projetar é se colocar no lugar do outro, questionar certezas, lidar com ambiguidades. É entender que boas soluções não nascem de respostas rápidas, mas de perguntas melhores — e essas perguntas ficam mais potentes quando vêm de experiências de vida diferentes.


Quanto mais diverso é o pensamento envolvido no processo, mais sofisticadas, responsáveis e relevantes tendem a ser as soluções que colocamos no mundo.


Diversidade, no design, não é um adorno: é um motor criativo.


Criar com pessoas diferentes transforma o processo — e o resultado


Criar junto muda tudo. Quando pessoas com formações, vivências e repertórios distintos se sentam à mesma mesa, o design deixa de ser um exercício individual para se tornar um processo coletivo — mais rico, mais crítico e mais conectado à realidade.


Um exemplo disso são projetos de design participativo em contextos sociais, como iniciativas de urbanismo tático em comunidades periféricas. Em muitos desses projetos, designers trabalham lado a lado com moradores locais para repensar sinalização, mobilidade, espaços públicos e serviços essenciais. O papel do designer deixa de ser o de “especialista que resolve” e passa a ser o de facilitador de escuta, tradução e construção coletiva. O resultado não é apenas mais funcional — é mais justo, apropriado e sustentável, porque nasce da realidade de quem vive aquele problema todos os dias.


No cotidiano do trabalho de um designer, criar com pessoas diferentes significa abrir o processo: envolver usuários, dialogar com áreas que pensam diferente, escutar quem historicamente não foi ouvido. Significa aceitar que boas ideias não vêm só de quem domina a técnica, mas de quem conhece o contexto.


Ninguém cria sozinho. E ninguém aprende só ouvindo. A comunidade se torna coautora do futuro que está sendo desenhado nas conversas, provocações e colaborações que continuam muito além dos processos e projetos.



Comunidades diversas não nascem por acaso — são cultivadas


Comunidades verdadeiramente diversas são construídas a partir de escolhas conscientes ao longo do tempo. A diversidade se constrói nas escolhas: quem é convidado para a conversa, quem tem espaço para falar, quem é realmente ouvido. Eventos têm um papel importante nesse processo, porque ajudam a moldar o ecossistema que existe muito além de suas datas oficiais.


Quando ampliamos quem participa, ampliamos também o futuro do design. Soluções mais relevantes, éticas e inovadoras nascem do encontro entre diferentes experiências, saberes e visões de mundo. Não existe uma única narrativa capaz de dar conta da complexidade do presente — é na troca que o design evolui.


O Floripa Design Days 2026 é um convite para fazer parte dessa construção coletiva. Um espaço para se encontrar, escutar, colaborar e criar junto. Porque o design que transforma começa nas pessoas que escolhem caminhar juntas.





✨ Floripa Design Days 2026 — onde o futuro começa a ser desenhado


O Floripa Design Days é mais do que um evento — é um ponto de encontro entre pessoas, ideias e propósitos. Um espaço para quem acredita que o design tem o poder de transformar negócios, carreiras e formas de viver.



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